Jovens escritores baianos encontram dificuldades para lançar seus trabalhos


O mercado editorial baiano não é dos melhores, o que dificulta a vida de muitos pesquisadores e escritores, que, na maioria das vezes, só conseguem publicar seus trabalhos se estiverem vinculados há alguma instituição pública ou de ensino superior. Quando o escritor é do interior da Bahia então, as dificuldades só aumentam, pois fica mais difícil o contato com escritores de prestigio do Estado e de participar de eventos literários. Este é o caso do jovem escritor e pesquisador de Paulo Afonso, Rubervânio Lima, que tem o livro de contos “Conversas do Sertão” lançado pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). A dificuldade para colocar o livro a venda no mercado são muitas, mas, não desanima esse pauloafonsino, que colocou o seu trabalho a venda no blog Conversas do Sertão, onde também disponibiliza novos contos envolvendo o mundo do cangaço e da cultura popular.

Influenciado por ter sido Paulo Afonso a cidade da cangaceira mais famosa de que se tem notícia, Maria Bonita, Rubervânio tem se dedicado a pesquisar e divulgar o cangaço, cordel e a xilogravura através de palestras e exposições. Sua próxima palestra será “Lampião, Cangaço e Cordel”, quando participará do 1º Seminário Cariri Cangaço, que acontece entre os dias 22 e 26 de setembro, nas cidades de Crato, Juazeiro e Barbalha no Ceará. A viagem para participar do seminário será custeada pela Secretária de Cultura do Estado através de projeto enviado para o Fundo de Cultura.

O apoio do Fundo de Cultura é de fundamental importância, para que jovens escritores e pesquisadores do interior não se deixem desanimar por falta de incentivo. Além disso, para Rubervânio, participar de um evento, pela primeira vez em outro Estado, faz com que os olhares voltem-se para a cidade de Paulo Afonso, onde existe o Memorial Casa de Maria Bonita, além das belezas naturais da cidade, muito conhecida pela prática de esportes radicas, e também pela cachoeira que foi fonte de inspiração para Castro Alves.

Livro “Conversas do Sertão” - O livro reúne histórias que remontam o cenário sertanejo, trazendo "causos matutos", histórias de pescador, de cangaceiros, histórias folclóricas, todas com uma linguagem bem na linha das narrativas fantásticas do cordel e evidenciando o falar e viver dos sertanejos.

Rubervânio Lima – Nasceu e reside em Paulo Afonso, tem 30 anos, é graduado em Letras (FASETE), pós-graduado em Estudos Literários, pela UEFS, e cursa Pós-Graduação em Gestão Cultural, no SENAC. Escreve contos, romances, poemas, músicas, tendo recebido vários prêmios literários.

Patativa do Assaré e a preservação da cultura popular


Homens como Patativa do Assaré, que lutaram para manter viva a cultura popular nordestina, merecem homenagens sempre.

Analfabeto, "sem saber as letra onde mora ", como diz num de seus poemas, foi revelado para o Brasil na década de 50, a partir da regravação de "Triste Partida", toada de retirante gravada por Luiz Gonzaga. Foi aos cinco anos de idade que Patativa, criado na Serra de Santana, Ceará, despertou para sua vocação poética. Ainda na infância o poeta cantador da mazelas do mundo perdeu a visão do olho direito, segundo ele, “mal d’olhos”.

Patativa do Assaré foi apresentado ao grande público através do cantor cearense Fagner, mas, nunca se interessou em ganhar a vida com seu dom, e viveu até 2002, ano de seu falecimento, na Serra de Santana.

Não poderia deixar de citar o poema Presente Disagradável,onde o pássaro repentista expôs o que pensava sobre o aparelho de televisão:

"Toda vez que eu ligo ele
No chafurdo das novela
Vejo logo os papo é feio
Vejo o maior tumaré
Com a briga das mulhé
Querendo os marido alheio
Do que adianta ter fama?
Ter curso de Faculdade?
Mode apresentar programa
Com tanta imoralidade !"

Apesar da falta de instrução Patativa foi um homem sábio, que escrevia seus versos inspirados no seu povo:

"Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrê
Não nego meu sangue, não nego meu nome.
Olho para a fome , pergunto: que há ?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará."

Tem melhor tradução para o povo nordestino?

Por pessoas como Patativa, precisamos preservar a cultura popular, ela representa a nossa identidade.

Patativa do Assaré (* 05/03/1909 - 08/07/2002)

Samuel Quinto - Salsa´n Jazz


Depois do CD Latin Jazz Thrill, lançado em 2007, o pianista e compositor Samuel Quinto brinda-nos agora com seu mais novo trabalho Salsa´n Jazz, com temas de sua autoria. Brasileiro, radicado em Portugal, Samuel Quinto mescla os ritmos brasileiros ao seus trabalhos, divulgando sua música temperada pela Europa.


Parabéns Samuca, agora é divulgar o trabalho aqui no Brasil também.


Sobre Samuel: www.samuelquinto.com

Ouça: www.myspace.com/samuelquinto

Info: manager@samuelquinto.com



Grupo BarLavento lança CD e faz turnê na Europa


O autêntico samba-de-roda do Recôncavo baiano está de malas prontas para a Europa. O grupo BarLavento está se preparando para uma turnê internacional que promoverá a música baiana e as histórias do vilarejo de Mutá, na Ilha de Itaparica. A turnê pela Europa acontece de 23 de junho a 15 de setembro. O roteiro inclui shows em Portugal e na Itália. O convite foi feito pelo diretor artístico do Festival de Ferrara, Stefano Botoni, que já é um admirador do trabalho do BarLavento.

É a terceira vez que o grupo se apresenta no Festival de Ferrara, um dos maiores eventos de rua do mundo que reúne cerca de 900 mil pessoas. Os shows serão realizados também na região da Lombardia e na cidade de Comacchio, na província de Ferrara. Em terras portuguesas o Barlavento fará shows na Casa da América Latina, em Lisboa, e viajara para cidades portuguesas para cumprir agenda de shows.


"O Buraco de Maroca"


Finalizamos com louvor o projeto do Cd “O Buraco de Maroca” do grupo Barlavento, patrocinado pela Bahiagás através de edital para apoio institucional. Na última quinta-feira (28), foi realizado o lançamento oficial do Cd, que contou com a presença do presidente da Bahiagás, Devidson Magalhães. O staff da Bahiagás esteve presente na Varanda do Sesi Rio Vermelho até o final da apresentação do Barlavento e de seus convidados: Juliana Ribeiro, Mandaia, Júlio Caldas, Carlos Pita e Clécia Queiroz. Mais de 200 pessoas sambaram e cantaram o autêntico samba de roda baiano. Parabéns ao Barlavento e a Bahiagás por acreditar no trabalho do grupo de preservar as tradições da nossa terra.

HSBC recebe projetos de educação

O Instituto HSBC de Solidariedade recebe projetos de Educação que tenham como objetivo trabalhar na redução da vulnerabilidade de crianças e adolescentes aliada ao sucesso escolar.
Para essa seleção serão destinados R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) para apoio a projetos durante 24 meses. Este recurso é proveniente da contribuição dos clientes do Banco HSBC, portadores do Cartão Instituto HSBC Solidariedade. Serão selecionados 40 projetos, em todo o território nacional, os quais receberão até R$40.000,00 (quarenta mil reais) no primeiro ano e até R$ 20.000,00 (vinte mil reais) no segundo ano.
As inscrições podem ser realizadas até o dia 21 de agosto. Mais informações estão disponíveis no site do Instituto HSBC.

Iphan lança edital Arte e Patrimônio dia 14 de maio

Com verba  de R$ 1 milhão, o edital Arte e Patrimônio contemplará dez projetos que criem diálogo entre as artes visuais contemporâneas e o patrimônio artístico e histórico nacional.

O edital é uma parceria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, com o Paço Imperial – centro cultural administrado pelo instituto, e integra o programa Brasil Arte Contemporânea do Ministério da Cultura, patrocinado pela Petrobras. Os recursos destinados ao edital serão divididos entre 10 projetos que receberão até R$ 100 mil cada. Os projetos deverão ser realizados obrigatoriamente entre os meses de setembro de 2009 e fevereiro de 2010.

As inscrições para o edital Arte e Patrimônio ficarão abertas de 15 de maio a 10 de julho de 2009, mediante preenchimento de formulário específico no site do edital , que estará no ar no dia 15 de maio. Mais informações: telefone (21) 2524-1662, das 10h às 17h, de segunda a sexta-feira, ou pelo e-mail info@artepatrimonio.org.br.

Exposição Ecos de Dakar


A jornalista Márcia  Guena inaugura a exposição Ecos de Dakar neste sábado (09) na Livraria Saraiva do Salvador Shopping, a partir das 16h. A exposição é composta por fotos feitas por Márcia em visita ao Senegal. Márcia pesquisa temas ligados à África e buscou elementos de identidade do povo do continente durante a viagem, captando gestos e elementos que apontassem a alma africana existente no Brasil. A exposição traz 30 fotos feitas nas cidades de Dakar, Bakel e Tambacounda, onde vive o povo Diola. A exposição fica em cartaz até o dia 23 de maio. Não deixe de conferir!

Fome de Cultura

CARLOS AUGUSTO CALIL

"A fome de cultura poderá ser aplacada se recuperarmos o papel do Estado, por meio do investimento direto nas ações de interesse social ".

HÁ UM fenômeno marcante na cena cultural brasileira: a sociedade clama por oferta de espaços de lazer e convívio, pela universalização da expressão artística, correspondendo ao acesso à representação e à participação cultural. Paira uma fome de cultura no ar. Por anos, a Secretaria Municipal da Cultura, cuja origem ilustre remonta à criação do Departamento de Cultura em 1935 -intervenção pública pioneira em nível internacional- , permaneceu estagnada, numa posição de confortável irrelevância política.

Em 2005, a deterioração -e a progressiva paralisia- atingira a biblioteca Mário de Andrade, as 55 bibliotecas de bairro, os teatros distritais, enfim, boa parte da sua rede física. Tornara-se indispensável recuperar a iniciativa do governo, visando à prestação de serviço público de melhor qualidade e à preservação das coleções, dos edifícios e equipamentos. Era preciso sinalizar a mudança de atitude, contra o desânimo geral dos funcionários, descrentes de fantasias redencionistas, e ampliar o orçamento insuficiente. Em um sinal inequívoco de que a cultura alçava outro patamar na Prefeitura de São Paulo, seu orçamento foi de R$ 176 milhões em 2005 para R$ 383 milhões em 2008. A revitalização da biblioteca Mário de Andrade, segunda maior do país, foi priorizada. Ainda em 2009 deve ser entregue seu primeiro módulo, que prevê o restauro do prédio principal, com abertura para a praça que a circunda. Ao mesmo tempo, inicia-se a segunda etapa, com a incorporação de um edifício vizinho, que será habilitado a receber a imensa coleção de periódicos.

Reanimar as bibliotecas públicas foi o maior desafio. Abandonadas pela administração e pelos frequentadores, sua precariedade era chocante: muitas delas não dispunham sequer de banheiro em funcionamento. Para atrair novamente o público a esses espaços, implantamos o Projeto de Bibliotecas Temáticas -atualmente há sete em funcionamento- e atualizamos o acervo com novos livros e assinatura de periódicos. A descentralizaçã o dos espaços culturais é hoje inadiável. A implantação em 2006 do Centro Cultural da Juventude, em Vila Nova Cachoeirinha, respondeu em alto nível à demanda da comunidade. No coração de Cidade Tiradentes, inicia-se em breve a construção de um centro de formação cultural para prover a região de cinema, teatro, circo, biblioteca e salão de exposições, além de cursos de formação sequenciada em atividades como cenotécnica, iluminação e sonorização. Esse conceito inovador reúne no mesmo espaço condições para formação profissional e fruição cultural.

A partir da experiência libertadora da vivência cultural, está em curso um crescente processo de culturalização da sociedade. Só a impregnação da cultura na educação formal e nos programas de reabilitação social poderá devolver-lhes alguma expectativa de transformação. Nesse processo, a ação cultural mobiliza e estimula a participação dos jovens em busca de oportunidades de atuação e de afirmação das identidades individuais e de grupo.

Concentrada principalmente no centro da cidade, a Virada Cultural faz parte de um esforço de reocupação dessa área crítica, ainda deprimida após 40 anos de abandono. A cada nova edição, jovens descobrem as ruas e praças do centro velho à procura de sua atração, e tudo se passa sob a égide da relação direta entre poder público e população, sem a intermediação de bandeiras comerciais ou de patrocinadores do dinheiro público via leis de incentivo. O imposto recolhido pela prefeitura devolvido ao contribuinte no velho modo republicano. A Virada Cultural nos ensinou que o vetor que pode recuperar o centro histórico, mesmo na sua vertente construtiva, é o da valorização cultural. Fixada a vocação da região, cabe ao poder público criar condições para atrair atividades ligadas à cultura e às artes: escritórios de arquitetura, de design, produtoras de cinema, de teatro e dança, residências de artistas.

Associar recuperação concreta à simbólica, reurbanização física à humana é o caminho que se vislumbra. Basta observar, no entorno do vale do Anhangabaú, os movimentos espontâneos de abertura de novos bares e restaurantes, faculdades, requalificação de apartamentos em edifícios antigos, gestos inequívocos de convite ao investimento governamental. A fome de cultura poderá ser aplacada se recuperarmos o papel do Estado, por intermédio do investimento direto nas ações de interesse social. Ao assumir as suas responsabilidades, o poder público e seus parceiros darão respostas à altura das demandas vivas da sociedade.

CARLOS AUGUSTO CALIL , 57, é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e secretário municipal da Cultura de São Paulo.

Este artigo foi publicado no jornal Folha de S. Paulo em 06/02/2009.
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